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Diabetes

Diabetes do tipo I Diabetes do tipo II Diabetes gestacional Bomba de insulina

Diabetes: informação clara para você e sua família

O diabetes é hoje uma das doenças crônicas mais comuns no mundo, com crescimento constante nas últimas décadas. No Brasil, estima-se que cerca de 9 milhões de pessoas convivam com essa condição.
Apesar de muitas vezes não causar sintomas no início, o diabetes pode, ao longo dos anos, levar a complicações importantes se não for bem controlado, como:
– Perda da visão (retinopatia diabética)
– Infarto agudo do miocárdio
– Insuficiência renal
– Amputações de membros inferiores
Existem diferentes tipos de diabetes, sendo os principais:
Diabetes tipo 1
Diabetes tipo 2
Diabetes gestacional
Em todos eles, há algum grau de dificuldade na ação da insulina (hormônio que controla o açúcar no sangue) e/ou redução na sua produção pelo pâncreas. A doença aparece a partir da interação entre predisposição genética e fatores ambientais, como sedentarismo e obesidade.
Apesar de ser uma doença séria e potencialmente grave, hoje é possível manter o diabetes bem controlado com acompanhamento médico, mudanças no estilo de vida, novas medicações e tecnologias, reduzindo de forma importante o risco de complicações.

Diabetes Tipo 1

O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune: o próprio sistema de defesa do organismo passa a produzir anticorpos que atacam e destroem as células beta do pâncreas, responsáveis pela fabricação de insulina.

Características principais

– Representa menos de 10% dos casos de diabetes.
– Surge mais frequentemente na infância e adolescência, podendo aparecer também em adultos jovens.
– A destruição das células beta costuma ser rápida, levando à falência da produção de insulina.
– Desde o diagnóstico, é necessária a reposição de insulina por via subcutânea.
Na maioria dos pacientes (cerca de 85 a 90%), é possível identificar um ou mais anticorpos na época do diagnóstico, como:
– Anticorpos anti-ilhotas (ICA)
– Anticorpos anti-insulina (IA2)
– Anticorpos anti-GAD (contra a enzima descarboxilase do ácido glutâmico)

Fases da doença e sintomas

Na fase inicial, chamada pré-clínica, o paciente ainda não apresenta sintomas, mas já existe alteração no padrão de secreção de insulina e presença de autoanticorpos. Nessa fase, o exame de tolerância oral à glicose pode mostrar alterações, com critérios diagnósticos semelhantes aos do diabetes tipo 2:
– Glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL e/ou
– Glicemia ≥ 200 mg/dL 2 horas após sobrecarga de 75 g de glicose
Com a progressão da doença, instala-se a fase sintomática, geralmente com glicemias mais altas (frequentemente acima de 200 mg/dL) e manifestações como:
– Sede intensa
– Aumento da urina (inclusive à noite)
– Aumento da fome
– Perda de peso sem causa aparente
– Visão embaçada
– Dor abdominal
É comum que o diabetes tipo 1 esteja associado a outras doenças autoimunes, como hipotireoidismo e doença celíaca.

Tratamento do diabetes tipo 1

O tratamento baseia-se na reposição de insulina, que é aplicada por via subcutânea. De forma geral, utilizamos dois grupos principais:
Insulinas de ação lenta ou ultra-lenta
(NPH, glargina, detemir, degludeca) – fornecem a insulina “basal”
Insulinas de ação rápida ou ultra-rápida
(regular, lispro, aspart, glulisina) – aplicadas próximas às refeições
O esquema deve ser individualizado, considerando:
– Idade e fase de desenvolvimento da criança ou adolescente
– Nível de atividade física
– Situação socioeconômica
– Objetivos do tratamento e rotina familiar
O modelo mais utilizado é o chamado esquema basal-bolus, que procura imitar o padrão normal de secreção de insulina, combinando:
– Uma ou mais doses de insulina lenta/ultra-lenta (basal)
– Doses múltiplas de insulina rápida/ultra-rápida antes das refeições (bolus)

Metas do tratamento

Os principais objetivos são:
– Evitar episódios de hipoglicemia
– Garantir crescimento e desenvolvimento adequados em crianças e adolescentes
– Reduzir o risco de complicações microvasculares e macrovasculares, como:
– Retinopatia diabética
– Nefropatia diabética
– Neuropatia
– Infarto
– Manter a hemoglobina glicada (HbA1c) em níveis adequados:
– < 8,5% em crianças em idade pré-escolar
– < 8,0% em crianças em idade escolar
– < 7,0% em adolescentes e adultos

Diabetes Gestacional

O diabetes gestacional (DMG) é uma alteração da glicose que surge durante a gravidez em mulheres que não tinham diagnóstico prévio de diabetes.

Por que a gestação facilita o diabetes?

A gravidez provoca mudanças hormonais importantes que tornam o organismo naturalmente mais resistente à insulina, principalmente a partir da metade do segundo trimestre. Diversos hormônios participam desse processo:
– Lactogênio placentário
– Estrógenos
– Progesterona
– Cortisol
– Prolactina
– Outras substâncias produzidas pela placenta
Em uma gestação normal, o pâncreas aumenta a produção de insulina em cerca de 1,5 a 2,5 vezes para compensar essa resistência e manter a glicose em níveis normais. Quando esse aumento não é suficiente, especialmente em mulheres com fatores de risco, pode surgir o diabetes gestacional.

Fatores de risco para diabetes gestacional

– História familiar de diabetes
– Obesidade ou ganho excessivo de peso na gestação atual
– Abortos de repetição
– Histórico de malformações fetais em gestação anterior
– Gravidez prévia com bebê pesando 4 kg ou mais
– Presença de hipertensão arterial
No Brasil, estima-se que até 7% das gestantes possam desenvolver DMG, o que classifica essas gestações como gestação de alto risco.

Riscos para o bebê

Entre as principais complicações quando o diabetes gestacional não é bem controlado, destacam-se:
Macrossomia fetal (peso ao nascer superior a 4 kg)
– Maior risco de malformações
– Abortos espontâneos
– Hipoglicemia neonatal (queda de glicose logo após o nascimento)

Diagnóstico

O rastreamento deve iniciar já na primeira consulta de pré-natal, com exame de glicemia de jejum. Quando o valor é superior a 85 mg/dL, recomenda-se a realização do teste de tolerância oral à glicose a partir da 20ª semana de gestação, para confirmação do diagnóstico.

Tratamento do diabetes gestacional

O tratamento costuma começar com medidas de estilo de vida:
– Prática regular de atividade física (quando liberada pelo obstetra)
– Controle adequado do ganho de peso na gestação
Plano alimentar com redução de açúcares simples e moderação de carboidratos
A maior parte das gestantes consegue bom controle apenas com essas medidas. Nos casos em que as glicemias permanecem acima das metas, é indicada a insulinoterapia, que é a forma mais segura e eficaz de tratamento durante a gestação.

Considerações finais

O diagnóstico precoce e o acompanhamento regular com especialista são fundamentais, tanto no diabetes tipo 1 quanto no diabetes gestacional. Com tratamento adequado, monitorização da glicose e mudanças no estilo de vida, é possível:
– Levar uma vida ativa e saudável
– Proteger órgãos como coração, rins, olhos e nervos
– Reduzir de forma significativa o risco de complicações para a mãe e para o bebê
Se você tem dúvidas sobre sintomas, exames ou tratamento, o acompanhamento individualizado é essencial para definir a melhor conduta em cada fase da vida.

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