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Doenças da Adrenal

Síndrome de Cushing | Insuficiência adrenal | Nódulos adrenais | Hiperaldosteronismo primário

Nódulos Adrenais: o que são e quando se preocupar

Os nódulos adrenais, também chamados de incidentalomas adrenais, são alterações geralmente descobertas “por acaso” em exames de imagem realizados por outros motivos, como investigação de dor abdominal ou avaliação de outros órgãos. Estima-se que até 5% da população apresente algum nódulo adrenal em exames de imagem, e essa frequência aumenta conforme a idade.
Na maioria das vezes, esses nódulos não causam sintomas. Porém, uma vez identificados, é fundamental realizar avaliação especializada e acompanhamento médico, pois podem ter implicações importantes para a saúde.

Principais objetivos da avaliação

Ao investigar um nódulo adrenal, o médico busca responder basicamente a duas questões:
1. O nódulo é benigno ou maligno?
2. O nódulo produz hormônios em excesso (é funcionante) ou não?
Essas respostas orientam a necessidade de tratamento, o tipo de acompanhamento e, em alguns casos, a indicação de cirurgia.

Características de nódulos benignos e malignos

Nódulos benignos (geralmente adenomas)
A maioria dos nódulos benignos da adrenal são adenomas, que costumam apresentar:
  • Pequeno diâmetro (menos de 2–3 cm)
  • Formato arredondado ou oval
  • Contornos regulares
  • Densidade homogênea
  • Conteúdo rico em gordura
Essas características podem ser avaliadas por tomografia computadorizada ou ressonância magnética, utilizando protocolos específicos para as glândulas adrenais.
Na tomografia, por exemplo:
  • Nódulos com densidade inferior a 10 UH (Unidades de Hounsfield)
  • E que apresentam rápido washout (eliminação do contraste maior que 60% em 15 minutos)
são altamente sugestivos de adenomas benignos.
Nódulos malignos
Já as lesões suspeitas ou malignas tendem a apresentar:
  • Tamanho maior (geralmente acima de 4–6 cm)
  • Formato irregular
  • Aspecto heterogêneo
  • Possível invasão de estruturas vizinhas
  • Áreas de necrose (morte celular) no interior
Esses achados aumentam a probabilidade de câncer adrenal ou de metástases e costumam indicar necessidade de investigação mais aprofundada e, muitas vezes, cirurgia.

Avaliação hormonal: o nódulo é funcionante?

As adrenais produzem vários hormônios importantes para o organismo. Alguns nódulos podem passar a produzir esses hormônios em excesso, mesmo sem causar sintomas óbvios. Por isso, todo nódulo adrenal deve ser avaliado do ponto de vista hormonal, ainda que o paciente se sinta bem.
Entre as principais condições pesquisadas, destacam-se:
Feocromocitoma
Produção excessiva de catecolaminas (adrenalina, noradrenalina).
A investigação é feita com dosagens de catecolaminas e metanefrinas no sangue e na urina.
Síndrome de Cushing
Produção aumentada de cortisol.
Podem ser utilizados exames de triagem como:
– Cortisol após 1 mg de dexametasona
– Cortisol urinário de 24 horas
Hiperaldosteronismo primário
Produção excessiva de aldosterona, causa secundária de hipertensão arterial.
Deve ser especialmente investigado em:
– Pacientes jovens com hipertensão
– Pacientes com pressão alta de difícil controle (refratária)
Estima-se que cerca de 5 a 20% dos nódulos adrenais produzam cortisol em excesso e até 3% produzam aldosterona.

Acompanhamento e indicação de cirurgia

Quando o nódulo é considerado benigno e não produtor de hormônios, não há motivo imediato para intervenção cirúrgica. No entanto, isso não significa que o nódulo possa ser simplesmente ignorado.
Recomenda-se:
Acompanhamento anual, com avaliação clínica, laboratorial e de imagem, por cerca de 5 anos.
Esse cuidado é importante porque:
– Até 20% dos adenomas inicialmente não funcionantes podem, ao longo do tempo, começar a produzir hormônios em excesso.
– O crescimento significativo do nódulo ou mudança em suas características de imagem podem levar à indicação de cirurgia.

Conclusão

Nódulos adrenais são achados relativamente comuns em exames de imagem e, em grande parte dos casos, são benignos e assintomáticos. Contudo, a avaliação adequada por um médico especialista é indispensável para:

– Diferenciar lesões benignas de malignas

– Investigar produção hormonal excessiva

– Definir a necessidade de acompanhamento ou tratamento cirúrgico

Um seguimento bem conduzido garante maior segurança e permite detectar precocemente qualquer alteração que possa exigir intervenção.

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