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Doenças da Tireóide

Nódulos tiroidianos | Câncer de tireóide | Hipertireoidismo | Hipotireoidismo Tiroidites

Hipotireoidismo

O hipotireoidismo é uma condição em que a tireoide passa a produzir menos hormônios do que o organismo necessita, levando a um “desaceleramento” geral do metabolismo.
Podemos classificá-lo em três tipos:
  • Hipotireoidismo primário – quando o problema está na própria glândula tireoide.
  • Hipotireoidismo secundário – quando há alteração na hipófise, com produção inadequada de TSH.
  • Hipotireoidismo terciário – quando o distúrbio ocorre no hipotálamo, que reduz a produção de TRH.
A causa mais comum é a tireoidite de Hashimoto, uma doença autoimune na qual o sistema imunológico produz anticorpos que atacam a tireoide, causando inflamação e destruição progressiva do tecido. Estima-se que até 3% da população possa apresentar essa condição.

Principais sintomas

Como o metabolismo fica mais lento, o paciente pode apresentar:
  • Cansaço e lentidão para realizar atividades do dia a dia
  • Sonolência aumentada
  • Humor deprimido
  • Dificuldade de concentração e queda da memória
  • Intolerância ao frio
  • Aumento discreto de peso
  • Bócio (aumento do volume na região do pescoço) em muitos casos
Em crianças, o hipotireoidismo pode comprometer crescimento e desenvolvimento cognitivo, motivo pelo qual o diagnóstico precoce é essencial.

Diagnóstico

O tipo mais frequente é o hipotireoidismo primário, identificado pela combinação de:
  • Quadro clínico compatível
  • TSH elevado
  • T4 livre (T4L) reduzido
Existe também o hipotireoidismo subclínico, cada vez mais comum, em que:
  • O TSH está discretamente elevado
  • O T4 livre permanece dentro da faixa de normalidade
A pesquisa de autoanticorpos, como anti-TPO e anti-Tg, ajuda a confirmar a natureza autoimune da doença e esses marcadores estão presentes em mais de 90% dos pacientes com tireoidite de Hashimoto.

Tratamento

O tratamento baseia-se na reposição do hormônio tireoidiano, em dose ajustada de acordo com o grau de disfunção da glândula e as características individuais do paciente.
Com acompanhamento regular, monitorização do TSH e uso correto da medicação, o hipotireoidismo é, em geral, facilmente controlado, permitindo ao paciente levar uma vida normal e ativa.

Hipertireoidismo

O hipertireoidismo é o oposto do hipotireoidismo: ocorre quando a tireoide produz e libera hormônios em excesso, resultando em um aumento do metabolismo.
Sem diagnóstico e tratamento adequados, trata-se de uma condição potencialmente grave, podendo aumentar o risco de:
  • Arritmias cardíacas
  • Osteoporose
  • Aumento da mortalidade
A causa mais frequente é também autoimune, conhecida como Doença de Graves. Nessa situação, o organismo produz um anticorpo chamado TRAb, que estimula de forma exagerada o receptor de TSH na tireoide, levando à produção excessiva de hormônios.
Outra causa importante são os bócios uni ou multinodulares, em que nódulos hiperfuncionantes produzem hormônios em excesso.

Principais sintomas

O quadro clínico reflete um estado de hipermetabolismo, com:
  • Taquicardia (aumento da frequência cardíaca)
  • Aumento da pressão arterial sistólica
  • Nervosismo, irritabilidade e labilidade emocional
  • Tremores finos nas mãos
  • Insônia
  • Emagrecimento rápido, mesmo com boa alimentação
  • Pele quente e úmida
  • Sudorese excessiva
  • Bócio (aumento da tireoide)
Em situações mais graves podem surgir:
  • Arritmias
  • Insuficiência cardíaca
  • Descompensação psiquiátrica (surtos, piora de quadros pré-existentes)
A Doença de Graves pode se associar à oftalmopatia de Graves, uma inflamação dos tecidos ao redor dos olhos, caracterizada por protrusão ocular (olhos “saltados”) e desconforto ocular.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito pela análise conjunta de:
  • Sinais e sintomas clínicos
  • Dosagem de TSH, T4 livre (T4L) e T3 livre (T3L)
  • Pesquisa de anticorpos antitireoidianos, em especial o TRAb
  • Ultrassonografia da tireoide
  • Cintilografia da tireoide, principalmente nos casos de hipertireoidismo associado a nódulos

Tratamento

Inicialmente, o tratamento é realizado com:
Medicações antitireoidianas, que bloqueiam a produção e liberação dos hormônios
Betabloqueadores, usados para controle mais rápido de sintomas como taquicardia e tremores
Cerca de 30 a 40% dos pacientes podem ter remissão apenas com o tratamento clínico. Porém, a maior parte necessitará de tratamento definitivo, que geralmente é feito com:
Iodo radioativo (método mais utilizado)
Cirurgia (tireoidectomia), em situações específicas
A escolha da melhor abordagem é individualizada, levando em conta idade, comorbidades, tamanho do bócio, presença de oftalmopatia e desejo reprodutivo, entre outros fatores.

Nódulos Tireoidianos

Com o uso cada vez mais frequente da ultrassonografia de tireoide, tornou-se muito comum identificar nódulos tireoidianos. Estima-se que mais de 60% da população possa apresentar nódulos detectáveis ao ultrassom ao longo da vida.
Eles são mais prevalentes em mulheres e a partir da terceira década de vida.
Ao avaliar um nódulo de tireoide, o endocrinologista observa principalmente:
1. Se o nódulo é hiperfuncionante ou não (se produz hormônio em excesso)
2. Se há características suspeitas de malignidade
A maioria dos nódulos é assintomática. Quando causam sintomas, estes costumam estar relacionados:
– Ao tamanho (sensação de “caroço” no pescoço, dificuldade para engolir, compressão local)
– À produção exagerada de hormônios, em casos de nódulos hiperfuncionantes

Fatores de maior risco para malignidade

Algumas situações exigem atenção especial, pois aumentam a suspeita de câncer de tireoide:
– Idade inferior a 20 anos ou superior a 60 anos
– Sexo masculino
– Nódulo de crescimento rápido
– História de radioterapia prévia em pescoço ou face
– Histórico familiar de câncer de tireoide
– Rouquidão persistente
– Linfonodos aumentados no pescoço (linfonodomegalia cervical)
Os achados do ultrassom são fundamentais na avaliação do risco. Quando necessário, realiza-se a punção aspirativa por agulha fina (PAAF) do nódulo para análise citológica, ajudando na definição da conduta.

Acompanhamento e tratamento

Nódulos com aspecto benigno:
– Devem ser apenas acompanhados periodicamente, com exames de imagem e avaliação clínica, devido ao risco de crescimento ou alteração de características ao longo do tempo.
– Em alguns casos, mesmo nódulos benignos podem ser submetidos a punção para maior segurança diagnóstica.
Nódulos malignos ou com forte suspeita de malignidade:
– O tratamento geralmente envolve a retirada cirúrgica do nódulo ou tireoidectomia total, a depender do caso.
– Pode ser necessário associar iodo radioativo na sequência, de acordo com o tipo e a extensão da doença.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Diante de sintomas ou alterações em exames da tireoide, é fundamental uma avaliação individualizada com médico endocrinologista para diagnóstico preciso e definição do melhor tratamento.

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